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Áudio Digital

Tutorial expresso 3.01

NOVIDADES

Reprodução de áudio e vídeo: jetAudio 5.01 Basic

Depois de passar alguns anos explorando o mundo do áudio digital e de experimentar dezenas de programas, resolvi escrever esta página para orientar, da maneira mais objetiva possível, os recém-chegados. Agora em sua terceira e "definitiva" versão, ela substitui (e supera de longe) a FAQ sobre MP3 que estava à disposição dos visitantes de CAOSMOS desde 1999.

Antes do tutorial propriamente dito, são apresentados alguns programas (gratuitos) que podem ser qualificados como indispensáveis para a produção e manipulação de áudio digital. Em tese, apenas cinco programas são suficientes para suprir todas as necessidades do usuário: um capturador de áudio, um editor de áudio, um codificador "lossy", um codificador "lossless" e um reprodutor ("player"). Em todas essas "categorias", apenas as melhores alternativas foram listadas; evidentemente, é possível descobrir centenas de outras por meio de algumas pesquisas com os termos "cd ripper", "audio editor", "lossy encoder", "lossless encoder" e "audio player".

Espero que o leitor compreenda que já tive suficiente trabalho escrevendo esta página, e que não terei tempo para responder eventuais mensagens relativas ao uso desses programas. Consulte a documentação de cada um deles (e faça suas experimentações) para aprender a usá-los e descobrir seus macetes.


CD RIPPER: Exact Audio Copy (EAC)

Um "CD ripper" serve para capturar a informação de CDs de áudio (compact discs) e convertê-la em arquivos de computador. Esses arquivos geralmente são gravados sem nenhuma compactação (formato WAVE, extensão .WAV), ocupando grande espaço em disco.

Há dezenas de programas (muitos deles gratuitos) que fazem essa captura de áudio, mas esse utilitário alemão é talvez o único que captura áudio com qualidade profissional; graças ao seu sistema de correção de erros, ele é até mesmo capaz, em certos casos, de ler CDs arranhados (que já não tocam num CD player convencional) e recuperar a informação original. Também é capaz de fazer edições básicas em arquivos WAVE (.WAV), gravar CDs de áudio e (com o auxílio de programas externos) codificar arquivos nos formatos MP3, OGG e outros. É o único programa recomendado nesta página que não é totalmente gratuito, mas seu "preço" é irrisório: um cartão postal de sua cidade e um belo selo. O registro da minha cópia saiu por R$ 2,30.

ALTERNATIVA: Outro "CD ripper" (gratuito, código aberto) muito conhecido na "cena" do áudio digital é o CDEX. Se você detestou o EAC, achou-o difícil de usar ou está sem dinheiro até para comprar um selo, tente esse.

C U I D A D O : O software livre, de código aberto, pode ser livremente utilizado, modificado, passado adiante e mesmo vendido, mas tudo isso implica que os créditos pelo código original não sejam omitidos. Pois bem, há um programa chamado "NeoAudio" que não passa de uma apropriação indevida (em bom português, roubo) do código do CDEX - e como se isso não bastasse, com a adição de um código spyware (código espião, que viola a privacidade do usuário). Cruz credo.

DICA: Como a captura do sinal de áudio é o momento crucial na produção de áudio digital - pois a qualidade do resultado final depende em primeiro lugar da exatidão com que o sinal foi capturado - é bom dispensar a essa parte do processo toda a atenção que ela merece. Não custa lembrar que uma boa captura de áudio depende não só do software, mas também do hardware: um drive de CD-ROM muito ruim (algo felizmente cada vez mais raro) pode comprometer todo o trabalho.


EDITOR DE ÁUDIO: Audacity

Desenvolvido de acordo com a filosofia open source (código aberto), esse programa permite a edição de arquivos WAVE e outros. O Audacity aceita plugins para expandir suas capacidades de edição e possui versões para Linux e Mac.

ALTERNATIVAS: Não conheço nenhuma (boa) alternativa gratuita para este programa. Evidentemente, existem vários bons programas comerciais para edição de áudio, como o Sound Forge, que custa algo em torno de 400 dólares. Outro programa comercial digno de nota é o DART (Digital Audio Restoration Technology), capaz de capturar o sinal de áudio de cassetes e LPs e de restaurá-lo de forma profissional (entre 100 e 200 dólares).


LOSSY ENCODER: Ogg Vorbis, LAME

Um "audio encoder" (codificador de áudio) é um programa capaz de converter os enormes arquivos .WAV em formatos compactados, que ocupam bem menos espaço em disco e portanto podem ser transmitidos pela Rede com mais facilidade.

Um "lossy audio encoder" ou simplesmente "lossy encoder" é um codificador de áudio que usa as leis da psicoacústica para produzir arquivos com um alto grau de compactação sem prejudicar demasiadamente a qualidade do áudio. Esses arquivos "lossy" (como o famoso MP3) possuem uma qualidade sempre inferior à da gravação original; entretanto, devido às limitações da audição humana e das limitações dos sistemas populares de reprodução de áudio, essa diferença de qualidade pode ser mais ou menos desprezível: tudo depende da taxa escolhida para a codificação. Os resultados obtidos com taxas iguais ou superiores a 192 Kb/s costumam agradar aos ouvidos mais exigentes.

Existem vários formatos "lossy" de áudio: MP3, MP4, OGG, AAC, WMA... Se você deseja acima de tudo compatibilidade, use o popular formato MP3 para codificar seus arquivos: compatibilidade significa que você tem um hardware qualquer, portátil ou não, que reproduz MP3; compatibilidade pode significar também que você deseja compartilhar uma música com alguém tão preguiçoso que não queira nem ouvir falar da possibilidade de instalar a última versão do Winamp. Mas se você não tem ou não pretende comprar tão cedo um hardware para reproduzir formatos digitais; se seus amigos não são tão preguiçosos assim; e, principalmente, se você quer distribuir (ou vender) arquivos de áudio com o seu trabalho, não hesite: prefira o formato OGG, que além de ser excelente (melhor do que o MP3, de acordo com seus criadores) é realmente gratuito (código aberto, livre de patentes) e não irá sujeitá-lo ao pagamento de nenhuma espécie de licença pelo uso da tecnologia ou pela distribuição dos arquivos (como acontece com o MP3, cuja patente pertence ao Instituto Fraunhofer). Quanto aos outros formatos compactados que surgem a cada dia na Internet, uma única palavra: esqueça-os. Pela sua qualidade (e por ser totalmente livre de patentes), o futuro pertence ao formato OGG, tal como o presente pertence ao MP3.

Codificadores MP3

O melhor codificador MP3 gratuito da atualidade é o LAME. Ele pode ser usado como um plugin no EAC ou no CDEX, o que (depois de feitas as devidas configurações) simplifica bastante seu uso.

Desenvolvido de acordo com a filosofia de código aberto, o WinLAME é uma opção interessante, pois é extremamente fácil de usar e está atualizado com a última versão do encoder LAME.

Codificadores OGG

O site dos desenvolvedores do padrão OGG distribui versões do seu codificador para vários sistemas operacionais, entre eles Windows e Linux. O iniciante poderá usar com facilidade (no Windows) o OggDrop e o OggDropXPd. "XPd" refere-se ao termo "eXPerienced", já que essa versão possui algumas opções adicionais, mas ambos são extremamente fáceis de usar ("drag and drop", arrastar e soltar). Funcionam também como players do formato.

Outro programa importante é o WinVorbis (Windows) / Vorbix (Linux). Ele é o melhor editor de comentários (tags) para o padrão OGG, além de codificar arquivos nesse formato.


LOSSLESS ENCODER: Monkey's Audio

"Lossless" significa que o codificador de áudio compacta o sinal sem nenhuma perda, ou seja, sem que nenhuma informação do arquivo original seja descartada (como ocorre nos formatos "lossy"). Os arquivos (.APE) não ficam tão pequenos como os arquivos MP3 ou OGG, mas em compensação são plenamente "tocáveis" (no Winamp) e podem ser novamente convertidos em arquivos .WAV idênticos aos arquivos originais (eu fiz um teste rigoroso e comprovei isso.) Talvez você ache o macaquinho que dá nome ao software um tanto bobo, mas o fato é que o programa é bom, rápido, fácil de usar e altamente indicado para aqueles que querem arquivar áudio sem nenhuma perda de qualidade.

DICA: O melhor compromisso entre o grau de compactação e o uso dos recursos do microprocessador (na hora de reproduzir a música) está na opção "High".

DICA II: O grau de compactação obtido pelo Monkey's Audio depende do tipo de áudio a ser codificado. Quanto maior a quantidade de silêncio presente no áudio original, mais compactados serão os arquivos. Por exemplo, em obras para piano ou recitais de poesia, os resultados podem chegar a algo em torno de 25% do tamanho original, o que é um resultado excepcional.

DICA III: Os "tags" (etiquetas), popularizados pelo formato MP3, são informações que ficam guardadas no arquivo e lidas pelo player na hora da execução da música. Como a função "tagging" do Monkey's Audio pode parecer confusa para o iniciante (e não só para ele), escrevi esta outra página somente para explicar sua configuração.

ALTERNATIVAS: Há outros programas (gratuitos) dedicados a formatos "lossless", como (por exemplo) o FLAC, o RKAU e o WavPack. Eu não os testei pessoalmente, mas basta consultar um quadro comparativo para constatar que, levando-se em conta o grau de compactação, a velocidade de codificação e o uso da CPU na reprodução dos arquivos (além de outras características importantes, como a facilidade de uso e a possibilidade de "navegar" pela música no momento da audição), o Monkey's Audio é atualmente a melhor das opções. Sua única desvantagem é que - por enquanto - o programa só roda em Windows.


PLAYER: Winamp

Sendo o mais popular "tocador" de música da era digital, dispensa maiores apresentações. Reproduz todos os formatos citados (o Monkey's Audio traz embutido um plugin para Winamp) e muitos outros.

ALTERNATIVAS: Há uma multidão de players gratuitos no mercado, mas o Zinf (antigo FreeAmp) possui a vantagem de oferecer versões para Windows e para Linux. Outra opção gratuita é o jetAudio 5.01 Basic, que oferece (com seus 17 Mb) uma solução completa para reprodução de áudio e vídeo.

DICA: Para incrementar o seu Winamp com plugins que fazem de tudo (menos preparar o seu café) ou com skins (que mudam a aparência do programa), dê uma olhada no site do Winamp. Também é interessante conhecer a página de Peter Pawlowski, o desenvolvedor "oficial" de plugins para o programa.

DICA II: É possível ouvir sem intervalos as faixas capturadas (em WAV, MP3, OGG, APE, etc.) de um CD gravado ao vivo: basta selecionar no Winamp um plugin de saída (output plugin) chamado gapless. Há uma versão mais antiga desse plugin (out continuous) para Winamp 2.xx circulando pela Rede; se necessário, ela pode ser baixada AQUI e descompactada no diretório de plugins do Winamp (geralmente C:\Program Files\Winamp\Plugins ou C:\Arquivos de Programas\Winamp\Plugins).

DICA III: Foi lançada recentemente a versão 3 do Winamp, mas eu continuo fiel à versão 2 (2.81), que é bem mais leve. Se seu hardware é modesto como o meu, menos é mais.

DICA IV: Se você gosta do Winamp e gosta deste site, CLIQUE AQUI para visitar a página do CAOSMOS Winamp Skin. Não é um "skin" profissional, é claro, mas não é tão feio quanto parece lá na página do Winamp - e funciona.


TUTORIAL EXPRESSO

CAPTURA (E GRAVAÇÃO) DE CDs DE ÁUDIO


1. Ponha o CD de áudio no drive correspondente e rode o programa EAC;
2. Use o EAC para acessar o serviço do FreeDB.org e (com alguma sorte) obter os nomes das músicas (opcional);
3. Faça a captura das músicas que deseja copiar no formato .WAV;
4. Use o próprio EAC ou o Audacity para fazer a edição/normalização dos arquivos .WAV (opcional).

Repita os passos acima até armazenar todas as músicas que entrarão em sua coletânea. Para produzir ("queimar") um CD de áudio com elas, use o EAC ou o programa que acompanha seu gravador de CDs.

CAPTURA DE ÁUDIO E CODIFICAÇÃO DOS ARQUIVOS EM FORMATOS COMPACTADOS

1. Ponha o CD de áudio no drive correspondente e rode o programa EAC;
2. Use o EAC para acessar o serviço do FreeDB.org e (com alguma sorte) obter os nomes das músicas (nesse caso é fundamental nomear as músicas, pois isso permitirá identificar os arquivos); caso não encontre os dados no FreeDB, digite as informações você mesmo e submeta-as ao FreeDB. A comunidade audiófila agradece.
3. Faça a captura das músicas que deseja copiar no formato .WAV;
4. Use o próprio EAC ou o Audacity para fazer a edição/normalização dos arquivos .WAV (opcional);
5. Escolha o formato de acordo com suas necessidades: para arquivar as músicas com qualidade total, use o Monkey's Audio; para compactar as músicas em MP3 ou OGG, use o codificador apropriado.

Depois de produzir e testar os arquivos, você poderá usar o programa que acompanha o seu gravador de CDs para produzir um CD ROM. Devido à compactação, nesses CDs sempre caberão mais músicas do que nos CDs de áudio comuns; lembre-se porém que esses CDs ROM só rodam em computadores ou em aparelhagens especializadas.

DICA: A gravação de CDs de áudio é sempre mais problemática do que a gravação de CDs de dados (CD ROM).

DICA II: Eu prefiro (e recomendo) fazer a captura e a codificação dos arquivos em duas etapas distintas, mas também é possível fazer a captura das faixas de áudio diretamente para os formatos MP3, OGG ou APE. Para isso, basta configurar o EAC (ou o CDEX) para usar o codificador de sua preferência.

DICA III: Misturar os formatos pode ser uma opção bastante interessante: por exemplo, codificar as músicas prediletas de um álbum em APE e o resto em OGG.

DICA IV: O "ROM" de CD ROM significa "Read Only Memory". Portanto, a pronúncia é "RÔM", e não "RUM". Em inglês, "room" quer dizer quarto ou aposento, e "rum" (ron) é uma bebida bastante popular, mas nada disso tem a ver com esses pequenos discos de plástico que você usa em seu computador.



Página criada em 10 de julho de 2002
e atualizada em 14 de novembro de 2002

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