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Marcelo Diniz

Poesia



Trecho de uma mensagem enviada para Heloísa:

sobre os peixes, fiquei pensando: a mobilidade e a dificuldade de apanhá-los com as mãos, além do fato de que, quando pescados, quando expostos ao consumo das feiras, um dos raros alimentos que compramos inteiro e de olhos abertos, olhos que não olham, que parecem lembrar, guardar o sabor da intimidade com o meio perdido, completamente desconhecido por nós. Há algo neles de uma nostálgica intimidade, de uma imersão irredutível ao verbo, cujos poemas parecem apenas se aproximar por precárias alegorias e fugitivas metonímias.




Agulhas


Não precipitemos as
coisas: essa vertigem
que parece insuflar
fôlego, palpitação
ao inanimado ainda
é muda, saibamos
perceber esse estado.
Não devotemos ainda
às pedras ou a qualquer
outro ente que nesse
perímetro nos afete
o discurso esperado
do cosmos, não estimemos
apelos dos astros no que
ainda é simples vibração
inaudita e presente
nesse íntimo espanto.
Sintamos apenas - não
denominemos o amor -
na língua as agulhas
do instante translúcido,
o conteúdo evanescente
após estourada a fina
esfera de toda metáfora.





NOTA

Durante mais de quatro anos você leu aqui, de graça, várias poesias de Marcelo Diniz. Elas foram reunidas no extraordinário livro trecho, já esgotado na editora (onde há uma entrevista com o autor e também outro poema do livro). Portanto, a hora é de correr às livrarias e (tentar) garantir o seu exemplar - ou escrever à editora para pedir uma segunda edição.

Quando ele tiver sido lido, relido e digerido... então será hora de retornar a esta página para ler poemas inéditos do autor. Até lá! (FF)


Marcelo Diniz é poeta, letrista, professor, doutorando em Letras pela UFRJ


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Página criada em março de 1999
e atualizada em 2 de novembro de 2003

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